Medalha Geral de Campanha

Cinco meses após o fim da Guerra do Paraguai, o Governo Imperial concedeu uma medalha ao Exército, por Decreto nº 4560 de 6 de agosto de 1870, referendado pelo Barão de Muritiba, Ministro de Estado dos Negócios da Guerra, atendendo aos relevantes serviços prestados pelo Exército em Operações Contra o Governo do Paraguai, pelos Oficiais Generais, Oficiais Superiores, capitães e subalternos, e praças que formaram tal Exército.

Através do Decreto nº 4573 de 20 de Agosto de 1870, referendado pelo Ministro da Marinha, Barão de Cotegipe, fez-se extensiva a medalha á Armada, premiando seus oficiais, classes anezas e praças da Marinha.

Estendeu-se posteriormente o uso da medalha aos aliados do Brasil na Guerra do Paraguai, ou seja, aos Uruguaios e Argentinos.

Confeccionada em bronze dos canhões apreendidos do inimigo, a medalha apresenta uma fita representando as cores nacionais e dos aliados, em cinco listas de igual largura e verticais, na seguinte ordem: verde, branca, azul, branca e amarela. A fita foi confeccionada em duas larguras: aquela concedida pelo Governo Imperial com 35 mms e a vendida pela joalheria Victor Resse  e a Casa Ramos Sobrinho, de 26 mms. Em 26 de agosto de 1870, o Ministério da Guerra encomendou em Paris, por intermédio de nossa Legação, 4.000 metros de fita.

Os Oficiais Generais e Superiores, Capitães, subalternos, praças dos mais diferentes corpos do Exército, da Guarda Nacional, dos Voluntários da Pátria e de Polícia, bem como os empregados civis, usavam a medalha no lado esquerdo do peito, pendente da fita mencionada, presa a um passador no centro, do qual se achava inscrito o número de anos de Campanha.

Sobre os passadores: são conhecidos três variantes daqueles fabricados em prata e ouro. O da Casa da Moeda, mais largo, o do Barão de São Victor, menor, e outro de fabricação mais grosseira, cujo fabricante desconhecemos. Os passadores eram de ouro para Oficiais Generais e Oficiais Superiores, de prata para Capitães e subalternos, em bronze para as praças de pret.

Para a inscrição de 1 ano no passador, foi contado o tempo mínimo de 9 meses, desprezadas as frações. Para o mesmo fim era igualmente computado o tempo em que o agraciado tivesse deixado de servir, em conseqüência dos ferimentos recebidos em combate.

A medalha tem o formato de uma cruz, muito parecida com a Cruz de Malta, tendo no anverso uma coroa fechada de ramos de carvalho, símbolo do valor militar, entrelaçada de duas fitas. Ao centro, a inscrição “Campanha do Paraguay”. No reverso da medalha há a mesma coroa, tendo ao centro a data de sua criação: “6 – 8 – 1870”. Para passar a fita, um acabamento diferenciado, com um arco ligando as extremidades superiores da cruz.

Em 3 de setembro de 1870 o gravador Lüster foi encarregado de gravar as matrizes para esta medalha. Em 18 de abril de 1871 começaram a ser cunhadas as primeiras medalhas, executada por João Pedro Soares de Lima. Em 19 de fevereiro de 1872 foram entregues á Tesouraria da Casa da Moeda 500 medalhas. Os gravadores F. J. da Costa, M. J. da Silveira, A. J. da Silveira, A.L.S Teixeira e F. J. dos Santos foram encarregados da cunhagem de 6.500 medalhas, concluídas em 4 de novembro de 1872.

Existiram dois cunhos desta medalha, o da Casa da Moeda e o da Joalheria Victor Resse. As diferenças dos fabricantes são quase imperceptíveis, sendo a medalha do Victpr Resse com maior relevo e melhor acabadas.