Segunda Medalha aos Mais Bravos

Medalha concedida pelo Governo Imperial para agraciar os mais bravos das forças em operações contra o Governo do Paraguai.

Em todas as ocasiões os combatentes considerados mais bravos eram agraciados com as Ordens da Rosa, de Cristo e Cruzeiro. A medalha “Aos Mais Bravos” seria um galardão especial, porque as demais condecorações poderiam ser ganhas por outros motivos alheios á guerra. Assim, a medalha evidenciaria particularmente a bravura dos combatentes.

Ela foi criada para o Exército e para a Marinha, através dos Decretos 3.853 e 3.854 de 1º de Maio de 1867, referendados pelos respectivos ministros “João Lustosa da Cunha Paranaguá” e “Affonso Celso de Assis Figueiredo”.

A medalha de bravura foi concedida em ouro para os oficiais e de prata para praças de pret. Será usada sem distinção de posto, ao lado direito do peito e pendente de uma fita encarnada com orlas verdes.

No fim de cada ação de guerra, qualquer que seja, em ordem do dia, o General em Chefe Comandante das forças em operações deverá declarar os nomes dos mais bravos da mesma ação, relacionando-os por ordem de merecimento, e mencionando circunstanciada mente os atos que os tornaram recomendáveis.

Depois da publicação do presente Decreto, o General em Chefe organizava, segundo as partes oficiais e Ordens do Dia já publicadas, e remunerações já obtidas, relações por ordem de merecimento dos indivíduos que se distinguiram por atos de notável bravura nas diversas ações de guerra contra o Governo da República do Paraguai, que já tiveram lugar, devendo as mesmas relações especificar tais atos e ser imediatamente publicadas pelo referido General em Chefe.

Se alguém se julgasse ofendido em seu direito, por omissão de seu nome nas Ordens do Dia de que tratam os parágrafos antecedentes, poderia dentro de um mês, dirigir sua reclamação ao General Comandante em Chefe das forças em operações, guardando-se as ordens estabelecidas na direção dos requerimentos militares. Para os indivíduos que não estiveram no Exército, quando forem publicadas as Ordens do Dia, o prazo de um mês seria contado desde que semelhante publicação tiver lugar nas províncias em que eles se acharem. O General em Chefe, achando fundada a reclamação, mandaria publicar as convenientes declarações na primeira Ordem do Dia que se oferecer, fazendo as necessárias emendas nas relações que já tivesse publicado.

Logo após o término da guerra, o Governo Imperial nomearia uma comissão de três oficiais generais, que seria presidida pelo General em Chefe das Forças em Operações Contra o Governo do Paraguai, para, á vistas das Ordens do Dia, reclamações e esclarecimentos transmitidos pelo mesmo Governo Imperial, fazerem uma apuração e escolher os indivíduos que, por atos de notável bravura, devam ser propostos como merecedores da medalha de bravura.

Esta medalha foi cunhada fora da Casa da Moeda. Conforme informação obtida do ourives Sr. Vianna, publicado no livro “A Guerra do Paraguai na Medalhística Brasileira” de Francisco Marques dos Santos, esta foi executada por um gravador francês de nome “Roberto Depaux”.

A medalha em questão é RARÍSSIMA, tanto em ouro como em prata.

A medalha apresenta no anverso a efígie de Dom Pedro II, dentro de dois ramos de louro, unidos na parte inferior por um laço. Sob o corte possui as iniciais RD (Roberto Depaux). O reverso traz as inscrições “Aos Mais Bravos”, igualmente entre dois louros unidos por um laço. No contorno, da direita para a esquerda as incrições: “Campanha do Paraguay – 1867”. Possui uma fita vermelha com orlas verdes. Dimensões de 25X20 mms.

Vale citar que no livro “Medalhas e Condecorações Brasileiras”, do Cel Laurenio Lago, consta a informação que esta medalha jamais foi concedida. E, segundo o site da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, Caxias não a concedeu para evitar melindres ou cometer injustiças.